12 outubro 2021
Brincar no Vento
e como me diverti a voar com eles !
[Vitor Uemura]
03 outubro 2021
Olhos que não são meus
com olhos que não são meus
e me escondo do meu olhar
por trás de roupas que não são minhas
E vivo a viver essa vida
sem saber se é a mim que vivo
ou se a mim que desperdiço
[Vitor Uemura]
21 setembro 2021
Expressão do vazio
haverá então a expressão desse vazio na forma de arte, como o sinto e vejo,
ou haverá essa expressão na forma de não expressão,
de vazio de expressão,
de silêncio,
e assim me calo artisticamente.
Expressar o vazio que há em mim tem sido silencioso, e o silêncio dói, e a dor é o que tem sido.
[Vitor Uemura]
04 setembro 2021
Aquilo que não fui
além de tudo que sou,
tudo que deixei de ser.
Como uma vaga lembrança do que poderia ter sido.
É como se,
mesmo não tendo sido,
eu acabasse sendo aquilo que não fui.
[Vitor Uemura]
03 setembro 2021
De dentro pra fora
Nem remédio,
nem chá,
nem axé ou banho de mar
são capazes de aliviar.
Somente o desaguar das emoções,
transbordando pelos olhos,
leva embora, qual enchente,
o sofrimento e a dor da gente.
[Vitor Uemura]
21 agosto 2021
Chama Divina
Sou a chama divina
a luz que ilumina
o Sol a brilhar
Sou a vento suave
a mata selvagem
a terra à brotar
Sou a firme montanha
a água que banha
a luz do Luar
Sinto a vida vinda de dentro
que pulsa, junto com a natureza
junto com cada outra alma,
ao mesmo tempo,
na mesma calma
[Vitor Uemura]
19 agosto 2021
Embrulho no peito
Não sei usar, melhor deixar guardado.
Pensei em doar,
mas não é algo que as pessoas queiram,
fica até estranho de oferecer.
Resolvi que era melhor usar a cabeça,
estudar e aprender a usar o coração antes de tirar ele da caixa.
Mas depois de um tempo o que eu aprendi é que,
pra aprender a usar o coração,
só usando o coração mesmo.
Não teve jeito,
tirei da caixa,
voltou pro peito.
[Vitor Uemura]
17 agosto 2021
Fuga
Tenho sentido dificuldade em dar vazão aos desenhos. É como se eu estivesse sem vontade de desenhar.
Eu me enfiei no mundo dos desenhos como uma espécie de fuga da realidade na qual eu vivia e com a qual eu não estava satisfeito. Mas depois que os desenhos viraram a realidade, é como se agora eu procurasse outras formas de escapar dessa nova realidade, e isso me tira a vontade de desenhar que antes eu possuía.
Fico pensando sobre o desenho como essa forma de escape. Se for isso, então não se trata de uma vontade verdadeira minha. Isso me coloca novamente no lugar de busca dessa verdadeira vontade. Acho que ainda não encontrei essa coisa, ou já encontrei e apenas não compreendi como ela funciona na minha vida.
Não estou muito certo disso, é apenas uma divagação que me surgiu no momento.
Mas assim como Bernardo Soares, devo à fuga tudo aquilo que até hoje traduzi em arte.
Na versão do Livro do Desassossego que estou lendo, o trecho de número 130 reflete sobre essa ideia, da fuga, e contém a seguinte passagem:
“Devo ao ser guarda-livros grande parte do que posso sentir e pensar como a negação e a fuga do cargo”
Talvez, assim como ele, eu deva me colocar novamente em uma posição que me gere um pouco de descontentamento com o que faço, para que ressurja a fuga dessa posição e que essa fuga seja pela arte.
Seria a arte fruto de um eterno descontentamento com a minha vida ?
Apesar de encontrar ressonância nas palavras e ideias de Bernardo Soares, penso que a arte pode ter inúmeras raízes dentro de mim, não somente a fuga de alguma determinada situação que a vida me apresenta. Já vivi outras formas de transbordar em arte, sei que elas são possíveis, e sei também que essas formas variam em uma espécie de ciclo aleatório (não sei se é possível que um ciclo seja aleatório kkk). Mas é interessante tomar consciência de que as raízes da arte são infinitas, e que posso aprender a explorar essa variedade, sem me apegar a uma única situação que favorece o transbordar dos sentimentos. Sabendo disso, fico mais tranquilo com as variações que ocorrem na maneira como produzo as coisas.
O rio da criação está sempre fluindo através de todos nós, o que precisamos é aprender a nos conectar e sentir esse fluxo, e deixar as ideias fluirem conforme a natureza desse rio. Ele está sempre lá, mas nunca é o mesmo.
16 agosto 2021
13 agosto 2021
Aqui não sou
daquilo que nunca houve antes
Já não resta um grão seque
de tudo que jamais tive
Nem mesmo a vaga lembrança das coisas que não aconteceram
Um salão vazio
que nunca foi construído
E que nunca foi habitado
por sonhos que nem mesmo chegaram a ser sonhados
Aqui não estou
Aqui não sou
[Vitor Uemura]
04 agosto 2021
O vento chama
quando o vento chama
quando o vento me chama
que faço eu, quando o vento me chama ?
As folhas das árvores emitem o som da mata quando o vento chama
Já eu, sinto dentro de mim uma energia
o chamado
talvez eu deva fazer também algum som
quando o vento me chamar novamente
vou dar um jeito de colocar pra fora o que eu sentir
talvez um grito, um mantra daquilo que sou
e que mantra é meu ?
que mantra sou eu ?
que vocalização contém toda minha essência ?
Tenho que descobrir, pra poder cantar a mim mesmo quando o vento chamar
assim como as folhas cantam a mata
[Vitor Uemura]