Hoje não queria pensar em nada
Tem dias que é melhor assim
Quando a cabeça tá ruim
Quando o coração tá apertado
Melhor mesmo é deitar
Ficar calado, chorar um pouco se der
Tem dias que é melhor só melhorar
Nada mais
[Vitor Uemura]
27 abril 2020
05 abril 2020
O feitiço da aranha e o tempo
Esta é a história de uma pequena tribo isolada no coração da floresta.
Na verdade, é a minha própria história, pois não sei se essa tribo realmente existe, ou se era só em meus sonhos que ela ganhava vida.
Mais especificamente, isso aqui é uma história sobre uma história que se contava nessa tribo, e que, de uma maneira bem estranha, se entrelaça com a minha.
Então é uma história sobre uma história que talvez fosse apenas um sonho.
Vou explicar melhor…
Todos os anos, durante as noites de Outono, quando eu me deitava para dormir, algo mágico acontecia. Desde muito pequeno, ao fechar meus olhos na cama eu era transportado para essa esse lugar no meio da floresta tropical. Uma espécie de tribo cuja etnia jamais consegui identificar, mas nunca me importei tanto com isso também. E acontecia sempre da mesma maneira: eu despertava dentro de uma pequena cabana sentindo uma dormência no corpo, que logo passava e eu começava a recobrar os sentidos. Aí eu saía da cabana e meu dia na tribo começava. Todo mundo sabia quem eu era, e eu era diferente de mim mesmo no mundo real. O eu na tribo tinha outra aparência, mas mantinha a mesma consciência. Tinha a mesma idade corporal também, e isso quer dizer que cresci na tribo e no mundo real ao mesmo tempo.
Era uma coisa estranha, pois mesmo sendo uma experiência diferente, era como se ela fosse natural, pois eu não sentia necessidade de compartilhar isso com as outras pessoas da tribo. E no fundo eu sabia que a presença deles ali se dava nos mesmos moldes que a minha, ou seja, eram todos pessoas do mundo real que acessavam aquele mundo e compartilhavam aquela vida durante o sono. Eram vivências muito reais. Sempre tive total consciência de meus atos e pensamentos durante elas.
Pois bem, nessa tribo existiam variam histórias que as pessoas de maior sabedoria contavam, e uma delas era sobre uma aranha. Uma grande aranha invisível que tecia enormes teias na floresta ao redor da tribo. E essas teias eram também invisíveis, e mais, elas somente grudavam nas pessoas da tribo. Animais, plantas e insetos não ficavam presos nelas.
Sempre achei que eles contavam essa história pra que as crianças não se aventurassem sozinhas pela mata, e de fato ela me deixava com bastante medo. Mas com o tempo notei que também os adultos, incluindo a mim mesmo, não saíam para explorar a mata com medo de caírem em uma dessas teias. Todos ficavam concentrados em um curto raio de floresta em volta da tribo, sem saber o que havia mais além. Essa história gerava um medo irracional, que não se sabia de onde vinha, e mesmo assim, ninguém ousava se arriscar para saber se era verdade ou não.
E assim os anos se passavam nessa tribo. As pessoas faziam aquilo que sempre fizeram, dando continuidade à um ciclo começado não se sabe quando. Perpetuando uma história e um medo que as impedia de experimentar a vida além da tribo.
Me lembro exatamente daquele dia. Era a primeira noite do Outono e eu já sabia que ao adormecer seria transportado para a floresta. Mas algo diferente aconteceu. Abri os olhos e estava em um lugar bem escuro, e dava pra sentir de alguma forma que era o interior de alguma caverna, bem profunda, feita na rocha sólida de alguma montanha.
Não conseguia ver nada, somente uma leve luz que emanava de um objeto no chão. Andei até lá e ví que se tratava de uma pequena pedra que emitia uma luz verde. Me abaixei para pegar, pois sentia seu chamado em minha mente. Ao olhar, ví que havia uma frase entalhada:
— O feitiço da Aranha e o Tempo.
Isso ficou na minha cabeça, e tudo fez sentido. E por isso resolvi escrever esse relato e publicá-lo na internet, com a esperança de que as outras pessoas que também faziam parte de minha tribo pudessem encontrá-lo e lê-lo. E se libertar.
No dia em que recebi a mensagem escrita na pedra, eu acordei na tribo e fiz aquilo que sempre tive vontade de fazer. Percebi que meu desejo de ir além sempre havia sido calado por um medo irracional, disseminado através de uma história que as pessoas propagavam sem nem saber o porquê, pois elas também haviam crescido escutando a mesma história. Naquele dia andei até a mata, e andei, e andei, e continuei andando. Tudo foi ficando escuro, eu já não enxergava mais nada ao redor, via somente uma fraca luz que estava alguns metros mais a frente. Segui na direção dela.
Para minha surpresa, era a saída de uma caverna.
28 março 2020
Enchevaziar
Se esvaziar
Se encher
Esvaziar-se
Encher-se
Esvaziencher-se
Enchevaziar-se
Se esvaziencher
Se enchevaziar
[Vitor Uemura]
Se encher
Esvaziar-se
Encher-se
Esvaziencher-se
Enchevaziar-se
Se esvaziencher
Se enchevaziar
[Vitor Uemura]
21 março 2020
Risca seu traço
Segue um rumo que só quem dança sabe enxergar
E escuta os sussurros das flores pelo caminho,
cantarolando levemente a melodia do amor.
Vê as belezas que os desavisados não notam.
Sente o vento que sopra manso,
trazendo a energia da vida.
E o vento que lhe indica onde vai o passo
E risca seu traço
Traça sua vida
[Vitor Uemura]
08 outubro 2019
10 setembro 2019
Tornar-se ponte
Toda luz que irradia parte de uma fonte
Toda alma que ascende,
torna-se uma ponte
Liga o interno ao externo,
coloca em contato
os elementos que dão vida à Vida,
que transformam simples letras
em poemas carregados de emoções
A vida começa a ser vivida nessa linha,
onde o que carregamos dentro,
encontra o que vem de fora
Sentir a fonte
Tornar-se ponte
[Vitor Uemura]
Toda alma que ascende,
torna-se uma ponte
Liga o interno ao externo,
coloca em contato
os elementos que dão vida à Vida,
que transformam simples letras
em poemas carregados de emoções
A vida começa a ser vivida nessa linha,
onde o que carregamos dentro,
encontra o que vem de fora
Sentir a fonte
Tornar-se ponte
[Vitor Uemura]
02 setembro 2019
Dissolvido
Ao me olhar de fora
vejo a casca de outrora
dentre tantas que já tive
e a que agora em mim vive
Mas tenho dificuldade em ver o que ela abriga,
em ouvir o que
de dentro,
grita
É como se eu estivesse tão dissolvido
em um mar,
que mal consigo sentir
qual parte de mim
é realmente minha
[Vitor Uemura]
vejo a casca de outrora
dentre tantas que já tive
e a que agora em mim vive
Mas tenho dificuldade em ver o que ela abriga,
em ouvir o que
de dentro,
grita
É como se eu estivesse tão dissolvido
em um mar,
que mal consigo sentir
qual parte de mim
é realmente minha
[Vitor Uemura]
13 agosto 2019
Passatempo
Tudo que já foi
vem a ser novamente
vejo o passado
com os olhos no presente
venho
volto
vou
passatempo para a mente
[Vitor Uemura]
vem a ser novamente
vejo o passado
com os olhos no presente
venho
volto
vou
passatempo para a mente
[Vitor Uemura]
10 agosto 2019
A coisa toda
Considero-me parte da coisa toda
Na verdade,
não só parte,
mas a coisa em si.
Aquela história do todo estar contido nas partes sabe…
Considero-me então a coisa toda.
E sendo assim,
as outras pessoas também são a coisa toda,
E todo mundo é tudo em si.
A coisa toda então é um mundo de coisas.
Acho que pode-se dizer que:
a coisa toda é todo mundo,
é todo um mundo de coisas todas
[Vitor Uemura]
Na verdade,
não só parte,
mas a coisa em si.
Aquela história do todo estar contido nas partes sabe…
Considero-me então a coisa toda.
E sendo assim,
as outras pessoas também são a coisa toda,
E todo mundo é tudo em si.
A coisa toda então é um mundo de coisas.
Acho que pode-se dizer que:
a coisa toda é todo mundo,
é todo um mundo de coisas todas
[Vitor Uemura]
09 agosto 2019
De verdade
Com o tempo
a verdade aparece
e a gente passa a enxergar
aquilo que antes só intuía
A intuição
a gente tenta não acreditar
diz que é brincadeira da nossa mente
“Que talvez não estejamos certos”
Mas quando a gente se depara com a verdade que a gente intuía
o coração logo sente
E tudo clareia
Pode doer as vezes
Muitas vezes dói mesmo
Mas a verdade a gente entende
e com ela segue em frente
sem mais duvidar da intuição da gente
[Vitor Uemura]
a verdade aparece
e a gente passa a enxergar
aquilo que antes só intuía
A intuição
a gente tenta não acreditar
diz que é brincadeira da nossa mente
“Que talvez não estejamos certos”
Mas quando a gente se depara com a verdade que a gente intuía
o coração logo sente
E tudo clareia
Pode doer as vezes
Muitas vezes dói mesmo
Mas a verdade a gente entende
e com ela segue em frente
sem mais duvidar da intuição da gente
[Vitor Uemura]
Livro do cume
Deixo aqui
tudo que já não me serve
tudo que me segura em um lugar onde não quero estar
Deixo aqui
para que seja levado pelo vento
para que retorne à terra
e complete seu ciclo
Deixo aqui
a casca de outrora
o sentimento que já não aflora
Levo a semente
de um novo agora
[Vitor Uemura]
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